sexta-feira, 7 de novembro de 2008
ANP: PRÉ-SAL DEVE TER NO MÍNIMO 50 BILHÕES DE BARRIS
O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, afirmou hoje que a agência projeta um volume de reservas entre 50 bilhões e 70 bilhões de barris nas áreas já concedidas da camada pré-sal na Bacia de Campos (RJ). Até o momento, a Petrobras confirmou a existência de no máximo 12 bilhões de barris nos projetos Tupi e Iara. Outras seis descobertas da região ainda serão avaliadas pela estatal.Lima afirmou que a agência fez sua projeção com base em dados geológicos e análises de especialistas sobre a região. "Havia uma previsão de um mínimo de 12 bilhões e de no máximo 70 bilhões de barris. Hoje, esperamos que o mínimo gire em torno de 50 bilhões e o máximo, entre 70 e 80 bilhões. Então há uma previsão de ficar entre 50 bilhões e 70 bilhões de barris", afirmou Lima em entrevista após a posse de dois novos diretores da ANP, no Rio.O volume de 50 bilhões já havia sido citado por Magda Chambriard, em seu discurso de posse. "Não sabemos quais as conseqüências para o Brasil. É uma mudança tão profunda que não só modifica o panorama da geopolítica mundial como coloca o Brasil em grandes condições de desenvolver uma indústria fornecedora (para o setor de petróleo)", disse.Segundo ele, a ANP fez algumas simulações tomando como base o campo de Marlim, maior produtor nacional de petróleo, e chegou à projeção de que serão necessários mais ou menos 500 poços para desenvolver as reservas do pré-sal. "Isso daria cinco mil quilômetros de poços com aço especial. Poderíamos trabalhar com a idéia de deixar de ser um grande exportador de minério para passarmos a ser grande produtor de aço para abastecimento do mercado interno. Isso implicaria em termos grandes investimentos em siderurgia", disse Lima.O diretor-geral da ANP lembrou que suas projeções foram feitas sobre a área já concedida do chamado cluster de Santos, onde apenas 43% da área está sendo explorada por petroleiros. O restante ainda depende da nova regulamentação do pré-sal. Lima avalia que a queda do preço do petróleo não inviabiliza os investimentos no setor, que são planejados levando em conta preços de longo prazo. "O plano do pré-sal é estratégico, não pode ser menos de dez anos. E por isso não sofre tanto com os efeitos da crise", disse Lima, voltando a calcular em US$ 35 a US$ 40 o preço do barril que viabiliza a exploração do pré-sal.