
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) descartou a chegada de frentes frias e chuva forte à Bahia até pelo menos o início do próximo mês, mas quem mora em encostas começa a ficar mais preocupado. Um relatório ainda não concluído da Coordenação de Defesa Civil de Salvador (Codesal), elaborado com base nos resultados das vistorias feitas por engenheiros em encostas de Salvador, entre 2005 e 2006, revela que existem em toda a cidade 553 áreas de risco.São 2.277 pontos considerados críticos, onde podem ocorrer, por causa das chuvas, deslizamentos de terra, desabamentos de imóveis e alagamentos de grandes áreas. Nesses locais, conforme as estimativas da coordenação de áreas de risco da Secretaria de Transportes e Infra-estrutura de Salvador (Setin), vivem cerca de 100 mil pessoas.O documento, que ainda será apresentado ao prefeito João Henrique, tem sido motivo de alerta da Codesal, que afirma estar monitorando todos os informes e colhendo imagens de satélites dos institutos de meteorologia no País para acompanhar as variações climáticas e acionar, em caso de emergência, os cinco órgãos operacionais que compõem o núcleo da Defesa Civil.OCORRÊNCIAS – Até o início da tarde desta terça-feira, 25, a Codesal tinha registrado apenas 15 ocorrências ligadas às chuvas. Dessas, quatro foram ameaças de desabamento de imóveis e duas de muro, sete ameaças de deslizamento, e dois deslizamentos de terra, nos bairros do Pau Miúdo e Pirajá.Por ter registrado um índice pluviométrico baixo (4,9 milímetros), não chegou a haver alagamentos em Salvador. O trânsito ficou lento pela manhã nas avenidas Paralela e Bonocô, mas fluiu normalmente na Avenida Centenário, Vasco da Gama e Ogunjá. Na última sexta-feira, 21, quando choveu 37,6 mm em apenas uma hora e meia, ocorreram alagamentos, principalmente na Cidade Baixa.Até agora, este ano, o dia de maior intensidade de chuvas foi 29 de fevereiro, com um índice de 130,6 mm. Em todo o mês, choveu 128,6 mm. Já em todo o mês de novembro, até as 9 horas desta terça, tinham sido registrados apenas 37,6 mm, contra uma média histórica mensal nos últimos 30 anos de 119 mm.O subcoordenador de operações da Codesal, Francisco Costa Júnior, disse que, diariamente, acompanha os boletins meteorológicos e que tem, pronto, um esquema para acionar os órgãos operacionais como as superintendências de manutenção, conservação e de parques e jardins, além das secretarias da Saúde e Desenvolvimento Social.Ele explicou que, em casos de alertas especiais de chuva, que são emitidos tanto pelo Inmet como pela Secretaria Nacional de Defesa Civil, o tempo de resposta tem de ser rápido.“A cidade toda é uma área de risco, e, por isso mesmo, mantemos campanhas educativas durante todo o ano, orientando a população sobre o acúmulo de lixo nas encostas e as construções em áreas alagadiças”, disse.RECORDE – A maior chuva registrada em Salvador nos últimos 35 anos ocorreu em 24 de abril de 1971. Naquele dia, choveu 367,2 milímetros, superior à média histórica mensal, medida nos últimos 30 anos, dos meses de abril (326 mm) e maio (345 mm), que são considerados os de maior precipitação pluviométrica.Segundo os dados do Inmet, as chuvas que ocorrem em Salvador são normais nesta época do ano e não se constituem em motivo de alerta especial, por se tratar de “sobras” de frentes frias que vêm das regiões Sudeste e da Amazônia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário