“Os pequenos sempre saem perdendo”. A máxima do prejuízo à vista foi repetida pela comerciante Ângela Cardoso Nunes, da Bricapa, ante a possibilidade de ceder o espaço de sua loja de forro para bancos de automóveis para o novo estádio.
A loja de 23 anos é das mais tradicionais na Ladeira da Fonte das Pedras, reduto desse nicho de comércio, que Ãngela e a família esperavam ver fortalecido com o funcionamento do metrô e a nova Fonte Nova.
A chance de o governo desapropriar imóveis da área para expandir o estádio não lhe parece simpática. “E o que os comerciantes vão fazer o que depois? E será que vão pagar o preço justo? Não acredito nesses governos”.
Segundo Ângela, ela e os colegas já estão sofrendo bastante por conta da crise na economia real. “Nossa clientela encolheu. Olha pra aí!, – aponta a avenida com poucos carros em serviço – a retração está em torno de 30%”, se queixou.
O vizinho Renato Silva, proprietário da RG Capas, empregando seis funcionários, reagiu: “Estou sabendo essa possibilidade agora. Tomara que não aconteça. Se acontecer vai ser um Deus-nos-acuda”.
O outro lado dos benefícios prometidos para o velho Estádio Octávio Mangabeira pode atingir também os alunos das escolinhas de iniciação desportiva que funcionam na área descoberta da praça esportiva.
Por intermédio de funcionários da Sudesb, órgão que administra o estádio, mães ouviram que não vai dar para gramar o campinho de futebol “porque o mesmo pode desaparecer com o novo projeto”.
D. Joanice Clementino Conceição, estudante de pedagogia e mãe de Carlos Henrique, juntou outras mães e se queixaram de que o campo faz muita poeira e prejudica a saúde dos alunos.
“Os garotos gostam demais de jogar futebol. Se a escolinha sair daqui para um lugar mais distante a gente só vai poder freqüentar se a Sudesb der o transporte. Pituaçu é muito distante”.
Já a arrendatária das duas piscinas da Vila Olímpica, Sandra Silva, faz prece para continuar administrando o Clube Olímpico de Natação no mesmo local ainda por muitos anos. Ela não tem informações sobre novo estádio e repete que deseja ficar.
Novo e velho – Conhecedor do projeto da nova Fonte Nova por intermédio de DVD presenteado pelo secretário Nilton Vasconcelos, o presidente da Federação Bahiana de Futebol, Ednaldo Rodrigues, torce para o projeto ser executado na íntegra. “A prevista preservação do antigo somado ao novo será muito interessante para a cidade. Ao final dos jogos da Copa, Salvador herdará um equipamento que vai incrementar a interação de seus moradores”, opinou.
Segundo o dirigente, “por intermédio da Copa e com a participação da Fifa, tudo isso será possível. E a conclusão da obra em tempo hábil estará garantida pelo rigor e da Fifa.”
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