segunda-feira, 24 de novembro de 2008

CRIME POR GRUPO DE EXTERMÍNIO AUMENENTAM 176%

Os assassinatos que a polícia classifica como praticados por grupos de extermínio, em Salvador e RMS, tiveram aumento de 176% de janeiro a setembro deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, saltando de 17 para 47 casos. Alta disparadamente superior ao aumento nos homicídios, em geral, que foi de 34%. Apesar de queixas de setores da polícia – também de organizações de defesa dos Direitos Humanos –, de que isso se deve ao fim do Grupo de Repressão a Crimes de Extermínio (Gerce), o Estado não voltou atrás na decisão e anunciou novas estratégias, que ainda não surtiram efeito. Em 19 de setembro, um dia depois de o governador Jaques Wagner e a cúpula da Secretaria da Segurança Pública (SSP) terem anunciado o início do programa Ronda no Bairro, Derivaldo Nascimento Cruz, 26 anos, foi morto com um tiro na cabeça na Rua Carlos Gomes, bairro de Sussuarana, bairro englobado pela primeira área escolhida para a fase inicial do programa. Apesar da intensificação da presença policial na região, nas 24 horas daquele dia, além de Derivaldo, outras quatro pessoas foram mortas, na área, e engrossaram as estatísticas dos primeiros nove meses deste ano. Só na capital, foram 1.290 assassinatos, 34% acima dos 957 do mesmo período de 2007, uma média de 143 mortes por mês. Os números são do Centro de Documentação e Estatística Policial (Cedep) e confirmam a escalada de assassinatos na capital. Em 2007, a média mensal foi de 111 homicídios, contra 80 do ano anterior. Dados indicam, ainda, que o aumento ocorre em todo o Estado. No mesmo período comparado, houve crescimento de 20% no número de homicídios na Bahia – de 2.733 casos para 3.284, média mensal de 364 crimes. Recortes – Quando o recorte se refere às vítimas adolescentes, em 2007 foram 62 homicídios, 32% a menos que este ano, que já soma 82 homicídios de menores de 18 anos. Segundo registros da Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI), também nessa faixa etária o uso e o tráfico de drogas pode estar relacionado ao aumento das assassinatos. É que na unidade, registros indicam alta no número de jovens envolvidos com drogas. Saltou de 126 em 2007 para 194, este ano. Em geral, o tráfico de drogas aparece como o principal motivador para as mortes sumárias. Dos 245 casos que têm motivação definida (janeiro a setembro), 90 (36,7%) estão diretamente ligados às drogas, na capital. Esse percentual pode ser maior, uma vez que 1.045 dos 1.290 homicídios sequer tiveram motivações identificadas. Em 12 de outubro, por exemplo, Josuel Santos Freitas, 23, foi morto a tiros em Saramandaia. De acordo com o pai dele, o aposentado José Martins de Freitas, 75, Josuel fazia uso de crack e chegou a arrombar casas e vender objetos furtados para sustentar o vício. “Nos últimos dias ele estava tranqüilo, dormia cedo. Ontem ele fugiu de casa pelos fundos, depois foi morto”, lamentou Martins.

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