sábado, 15 de novembro de 2008

CRISE AFETA EXPORTAÇÃO DA BAHIA



A crise financeira internacional já começa a afetar as exportações da Bahia. Devido a instabilidade do câmbio e a falta de financiamentos, em outubro, as vendas baianas para o exterior somaram US$ 729,8 milhões, numa redução de 10,8% em relação ao mês anterior. Em comparação a igual mês do ano passado, houve uma expansão de 6,7%. Já as importações tiveram um mês de forte elevação, atingindo US$ 717,3 milhões, o que supera em 90,2% igual mês de 2007 e 30% o volume de setembro último.
Os dados, que foram divulgados ontem pelo Centro Internacional de Negócios da Bahia (Promo), revelam ainda que o impulso nas importações, que vinham estáveis nos últimos três meses, resultou da iniciativa de indústrias que dependem de insumos importados, como a Petrobras e a Caraíba Metais, temendo um quadro de significativas oscilações na valorização da moeda americana.
Arthur Souza Cruz, gerente de estudos e informações do Promo, diz que o Estado não deverá sofrer forte retração nas exportações, ainda em 2008, por conta da crise financeira. “A maioria das commodities embarcadas até o final do ano pela Bahia, já estão em sua maioria seladas, por contratos já fechados no período de alta das cotações”, disse Cruz, destacando que os prováveis reflexos da queda nas cotações das commodities, assim como uma desaceleração nos pedidos, só terão efeito na balança comercial baiana no início de 2009. “Caso o cenário atual de escassez de crédito e volatilidade do dólar seja mantido, assim como um encolhimento nas vendas, resultado de um desaquecimento da economia mundial".O coordenador de acompanhamento conjuntural da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), Luiz Mário Vieira, vê o quadro com confiança. ”O Brasil está em situação bem melhor do que esteve em outras crises e há uma perspectiva de mudança no governo americano, com novo presidente“, assinalou, ressaltando que as expectativas mais pessimistas prevêem, aqui, um crescimento de 2,5% do PIB. ”Não se fala em taxas negativas“, diz. ”Haverá, sim, a desaceleração do crescimento“, avalia, ressaltando que isso já aparece com clareza em setores como o automotivos e da construção civil, que dependem de crédito. Agronegócio – Em meio ao clima de incerteza gerado pela instabilidade do mercado financeiro internacional entre os produtores baianos, um ponto de definição está colocado no oeste do Estado: lá, a crise já se instalou.
Segundo o presidente da Federação de Agricultura do Estado da Bahia (Faeb), João Martins, a única interrogação diz respeito à qualidade da colheita no próximo ano, já que a plantação de grãos está definitivamente prejudicada pela falta de investimentos das multinacionais que financiam adubos e defensivos agrícolas. Os produtores de municípios como Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e Correntina, como outros da região, contam apenas com os recursos do governo federal equivalentes a 30% do custeio.
"A mesma extensão de área está sendo plantada, mas sem os insumos adequados. Isso preocupa”, assinalou Martins, que, apesar da perspectiva de uma menor produtividade, descarta a redução dos postos de trabalho no meio rural a curto prazo. “A plantação de grãos utiliza pouca gente e a fruticultura, em época de colheita, não tem porque demitir”, explicou. A dificuldade enfrentada pelos produtores pode, na sua opinião, reduzir a produção de grãos num percentual entre 6 % a 10%. “Há uma apreensão muito grande entre os produtores de grãos, que têm dificuldade em enxergar a luz que existe no fim do túnel”, disse, fazendo um retrato da situação. “Para se produzir 140 milhões de toneladas de grãos são necessários R$ 130 bilhões. O governo federal arca com algo em torno de R$ 30 a R$ 40 bilhões. O restante viria das multinacionais. E não estão chegando”, assinalou, ressaltando, contudo, o esforço do governo. “Têm sido abertas linhas de financiamento pelo Banco do Nordeste, mas que dependem da resolução de problemas em áreas ambientais para serem liberados. Essa demora também vai prejudicar a colheita, já a que plantação iniciada em meados de novembro deveria ter começado no final de outubro”, explicou.
João Martins não vê prejuízos para a fruticultura, em época de colheita, com linha de crédito aberta pelo BNB para a exportação e com as vendas externas favorecida pela valorização do dólar.

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