
Moradora do povoado de Estiva Nova, no município de Mucugê, a 441 km de Salvador, Helena Pereira, 68, viu as labaredas se aproximarem até formar um círculo em torno de sua casa. O galinheiro, as árvores e a cerca viraram cinzas. Viúva há dois meses, ela diz que só não morreu por causa da ajuda dos vizinhos, que começaram a cobrir os móveis com panos úmidos.
“Se meu velho tivesse vivo, ele não ia agüentar. Naquele dia (quarta-feira passada), eu chorei foi muito, um desespero só”. Segundo a moradora, nenhuma aeronave passou no local. Vizinha de Helena, Nilda Oliveira, 44, nunca viu tragédia semelhante. “Há incêndios todo ano, mas do tempo que eu moro aqui, nunca vi uma coisa dessas”, diz. Segundo ela, eram 2 horas da tarde quando a queimada começou a se aproximar, numa quentura insuportável.
Na segunda-feira, 10, pelo menos cinco focos de incêndio ainda estavam sem controle no Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD), nos municípios de Lençóis, Palmeiras e Mucugê. Os responsáveis pela administração do parque não têm estimativa de quanto, além dos 75 mil hectares já devastados até a noite de domingo, foi queimado nesta segunda.
De acordo com o último balanço, 50% da reserva ambiental queimou no último mês. A avaliação dos gestores é que existam, atualmente, 24 focos de incêndio na Chapada. “Não estamos recomendando a turistas virem para cá. É perigoso, há risco real. A gente não sabe onde vai queimar, e o fogo pode vir para cima da pessoa”, afirma Cezar Gonçalves, analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e gestor do parque. A suspeita é que o estrago tenha sido provocado pela ação criminosa de agricultores, garimpeiros e incendiários. “Tudo isso na nossa frente é caatinga, não queima assim, fácil”, explica o biólogo. “Só a chuva pode apagar. Pessoalmente, eu acredito que a ação das aeronaves lançando o agente bloqueador não é suficiente, porque a dimensão é muito grande. Quase tudo que havia para queimar já queimou, o fogo vai acabar se extinguindo por falta de material de combustão. O máximo que nós vamos conseguir fazer é controlar”. “Sempre há risco para a população, os focos estão muito intensos, já chegaram em algumas casas de Mucugê”, acrescenta. Meteorologia – De acordo com o Centro Estadual de Meteorologia do Instituto de Gestão das Águas e Clima (Ingá), a previsão para hoje na Chapada Diamantina é de céu parcialmente nublado a claro, com possibilidade de chuvas fracas e isoladas, mas nada que possa conter as queimadas. A meteorologia prevê o início do período chuvoso para esta região somente no final do mês. De 1º a 10 de novembro, foram registrados 2.988 focos de incêndio em todo o Estado. De acordo com informações do governo, quatro aeronaves tipo air tractor, quatro helicópteros, quatro veículos para combate ao fogo e seis caminhonetes, além de um avião modelo Hércules C-130 cedido pela Força Aérea Brasileira, estão na região “dando suporte às equipes, nas frentes de combate”. Ao todo, foram mobilizados 150 bombeiros e 90 prepostos de vários órgãos, além de brigadistas civis.
“Se meu velho tivesse vivo, ele não ia agüentar. Naquele dia (quarta-feira passada), eu chorei foi muito, um desespero só”. Segundo a moradora, nenhuma aeronave passou no local. Vizinha de Helena, Nilda Oliveira, 44, nunca viu tragédia semelhante. “Há incêndios todo ano, mas do tempo que eu moro aqui, nunca vi uma coisa dessas”, diz. Segundo ela, eram 2 horas da tarde quando a queimada começou a se aproximar, numa quentura insuportável.
Na segunda-feira, 10, pelo menos cinco focos de incêndio ainda estavam sem controle no Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD), nos municípios de Lençóis, Palmeiras e Mucugê. Os responsáveis pela administração do parque não têm estimativa de quanto, além dos 75 mil hectares já devastados até a noite de domingo, foi queimado nesta segunda.
De acordo com o último balanço, 50% da reserva ambiental queimou no último mês. A avaliação dos gestores é que existam, atualmente, 24 focos de incêndio na Chapada. “Não estamos recomendando a turistas virem para cá. É perigoso, há risco real. A gente não sabe onde vai queimar, e o fogo pode vir para cima da pessoa”, afirma Cezar Gonçalves, analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e gestor do parque. A suspeita é que o estrago tenha sido provocado pela ação criminosa de agricultores, garimpeiros e incendiários. “Tudo isso na nossa frente é caatinga, não queima assim, fácil”, explica o biólogo. “Só a chuva pode apagar. Pessoalmente, eu acredito que a ação das aeronaves lançando o agente bloqueador não é suficiente, porque a dimensão é muito grande. Quase tudo que havia para queimar já queimou, o fogo vai acabar se extinguindo por falta de material de combustão. O máximo que nós vamos conseguir fazer é controlar”. “Sempre há risco para a população, os focos estão muito intensos, já chegaram em algumas casas de Mucugê”, acrescenta. Meteorologia – De acordo com o Centro Estadual de Meteorologia do Instituto de Gestão das Águas e Clima (Ingá), a previsão para hoje na Chapada Diamantina é de céu parcialmente nublado a claro, com possibilidade de chuvas fracas e isoladas, mas nada que possa conter as queimadas. A meteorologia prevê o início do período chuvoso para esta região somente no final do mês. De 1º a 10 de novembro, foram registrados 2.988 focos de incêndio em todo o Estado. De acordo com informações do governo, quatro aeronaves tipo air tractor, quatro helicópteros, quatro veículos para combate ao fogo e seis caminhonetes, além de um avião modelo Hércules C-130 cedido pela Força Aérea Brasileira, estão na região “dando suporte às equipes, nas frentes de combate”. Ao todo, foram mobilizados 150 bombeiros e 90 prepostos de vários órgãos, além de brigadistas civis.