quinta-feira, 13 de novembro de 2008

META AGORA É PRESERVAR O TURISMO DA CHAPADA

Donos de agências de excursão pela Chapada dizem ter sentido o impacto das queimadas, que atingiram, no último mês, alguns dos destinos turísticos mais procurados em Lençóis e região. O Morrão, localizado no Vale do Capão, resumiu-se a uma paisagem cinza. O chamado turismo receptivo, dizem os empresários, sofreu uma queda de até 70% nas reservas feitas por telefone e na procura direta. Apesar disso, os grandes hotéis sustentam fluxo normal para a época do ano.
“A gente já chegou a cancelar trilhas, e pessoas deixaram de vir quando souberam das queimadas”, afirma Fátima Regina da Silva, proprietária da Eco Tur, que realiza trilhas por todos os seis municípios que compõem o Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD).
Guia turístico, Itamar Gomes explica que houve grande desistência nos últimos 15 dias. “O Vale do Pati, um dos destinos mais procurados, ainda está protegido, mas a parte ao redor está queimando”, avalia. De acordo com Emiliano Segatt, da Terra Chapada Expedições, alguns clientes do Sudeste e de Salvador têm ligado preocupados, mas até agora não se pode perceber prejuízo econômico, já que este foi um ano melhor que o passado. Queimadas – “Na agência onde nós fomos, disseram que não havia mais queimadas. Estamos chegando agora, sabemos de muito pouca coisa”, conta o industriário Antônio Roque, 41 anos, morador de Feira de Santana que viajou em companhia de Jaciara de Almeida e Eulália Andrade, esta última de 77 anos de idade. O fato é que esta época do ano é considerada de baixa estação, quando a ocupação hoteleira alcança, no máximo, 30% dos leitos. O período de maior fluxo, a partir do dia 15 de dezembro, não deve ser comprometido, pelo menos de acordo com representantes de hotéis de luxo. Recepcionista do Portal Lençóis, cujas diárias variam de R$ 315 a R$ 505, Rodrigo Corrêa diz que a ocupação está na casa dos 30%. “Até agora não alterou nada, até porque todo ano acontecem queimadas. Agora, a repercussão prejudica”, esclarece Dionísio Martins, representante do Hotel de Lençóis, com diárias de R$ 234 a R$ 340, sobre a divulgação na mídia dos incêndios. *Colaborou Valmar Hupsel Filho De acordo com a Secretaria de Turismo de Lençóis, a cidade recebe em média 105 mil visitantes por ano. Conta com 48 tipos de hospedagem, 21 agências de turismo receptivo e 104 estabelecimentos entre bares, lanchonetes, restaurantes e similares. Alguns eventos, como o Festival de Lençóis e o São João, aquecem a economia e ajudam a combater a sazonalidade. Para a secretária Michelle Nonato, “a imprensa incisiva no lado negativo do fato acabou prejudicando os empresários, e nos últimos 15 dias registra-se uma queda acentuada no número de visitantes da cidade de Lençóis”. Segundo ela, apesar das queimadas, existem áreas e trilhas intactas. O secretário estadual de Turismo, Domingos Leonelli, diz não dispor de qualquer informação sobre redução de fluxo de visitantes para o destino Chapada Diamantina por conta dos incêndios na região. “Mas acredito que vai haver. Isso (as queimadas) deverá prejudicar o turismo na região, não há dúvida quanto a isso, mas estamos criando compensações”, informa. O secretário cita como exemplo o apoio à criação de uma linha expressa turística para Lençóis e a inclusão da cidade na programação do verão da Bahia com o Réveillon. A festa, no modelo da que foi feita no São João, seria organizada apenas nos portais aéreos do Estado – Salvador, Porto Seguro e Ilhéus. “Mas com esta situação o governador me autorizou a incluir Lençóis na programação com palco, luz e som para incentivar o fluxo turístico”, garante Leonelli.

Nenhum comentário: