
A economia baiana terá um incremento, até o final do ano, de R$ 3,2 bilhões, provenientes do pagamento do 13º salário. O montante representa 4,3% do total que será injetado no Brasil, em torno de R$ 78 bilhões, e 28,8% do total da Região Nordeste.
O valor representa 4,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. A estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) é que 3,7 milhões de baianos serão beneficiados. Eles receberão a primeira parcela da gratificação no final deste mês.
De acordo com economistas e entidades sindicais do setor comercial, o aumento do montante da gratificação deve ajudar a manter a economia aquecida, num momento em que a oferta de crédito já dá mostras de queda, devido à crise financeira.
Quitar dívidas é um dos destinos históricos do 13º. Por isso, o vice-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomércio), Edson Mascarenhas, ressalta que no período natalino, o dinheiro terá de ser dosado entre dívidas e compras à vista. Para ele, os trabalhadores já vão perceber escassez de crédito quando forem parcelar suas compras de fim de ano, mesmo de forma suave. “Esta é uma crise de crédito. Os prazos estão sendo reduzidos, e acredito que o consumo caia”, disse. O vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Salvador (CDL), Geraldo Cordeiro, concorda que o parcelamento está ficando mais caro, mas ressalta que a crise financeira ainda não é um motivo de alarde para o setor varejista. “O 13º vem como uma contrapartida aos pequenos efeitos da crise”, aposta. Já o professor da Faculdade de Economia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Osmar Sepúlveda, vê com mais otimismo o impacto que o benefício irá trazer à economia baiana. Ele afirma que o incremento é o reflexo da formalização do emprego no Estado. “Isso vai gerar uma maior presença do trabalhador no consumo, principalmente na época do Natal. O salário é que mantém a economia”, ratifica. A economista e supervisora técnica do Dieese na Bahia, Ana Georgina Dias, disse que o órgão não dispõe do valor pago aos baianos no ano anterior, mas garante que em 2008 o montante do 13º foi bem maior, devido, não somente ao aumento dos postos de trabalho com carteira assinada, mas também aos últimos reajustes salariais, como o de março deste ano, que foi de 9,2%. Em todo o País, 4,4 milhões de pessoas passam a receber pela primeira vez o 13º este ano, um montante 6,9% superior ao observado no ano anterior. A expectativa do secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Nilton Vasconcelos, é que 2008 supere em 11% o número de empregos formais em relação ao ano anterior, quando foram gerados 58 mil. “Crescer o grau de formalização do trabalho significa 13º mais para circular na economia”. Pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac) aponta que 60% dos brasileiros que vão receber 13° salário pretendem pagar dívidas contraídas durante o ano.