quarta-feira, 5 de novembro de 2008

PREÇO DO GÁS NATURAL SOBE 9%



O preço do gás natural sofreu um aumento médio de 9% agora em novembro por conta do reajuste aprovado sobre margem que é destinada à Companhia de Gás da Bahia (Bahiagás) no preço do produto. Os novos valores, oficializados na terça-feira, 4, já estão valendo para o setor industrial.
Segundo a companhia, a tarifa residencial ficará “congelada” até 31 de dezembro. No início do ano que vem, no entanto, o produto será reajustado. Já o preço do combustível veicular permanece inalterado até 31 de janeiro de 2009. Mas, a partir de 1º de fevereiro o GNV também vai pesar mais no bolso dos baianos.De acordo com a Bahiagás, o reajuste concedido agora deveria ter sido aprovado desde o mês de maio. “Discutimos com a Agerba para deslocar o aumento, que já deveria ter sido dado, mas chegamos a um limite. O preço já estava muito defasado”, afirma o diretor técnico comercial da Bahiagás, Eduardo Barretto. Ele garante que, mesmo após o reajuste, a tarifa cobrada na Bahia é a menor entre os estados industrializados.Segundo a empresa, foram definidos percentuais diferentes de reajuste para a indústria, com a intenção de manter a competitividade do gás natural, usado como matéria-prima. O produto que serve como insumo passou de R$ 0,65 para R$ 0,73, enquanto o combustível está custando R$ 0,78 por metro cúbico, em média.
Apesar do aumento, a Bahiagás diz que o produto ainda está com um preço abaixo do que é cobrado em outros estados. “Inevitável? Se mesmo com o aumento, ainda estamos vendendo mais barato que os outros, imagine a defasagem de antes”, diz Eduardo Barretto.Para o presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), Ricardo Lima, o aumento veio em um momento completamente inoportuno, por conta das dificuldades para os grandes consumidores no cenário externo.
Segundo ele, o reajuste pode representar um incremento nos custos de algumas indústrias de até 5%. “Isso varia de acordo com o segmento, mas no caso daqueles que fazem uso maciço do gás natural, o impacto é bem maior”, reclama Lima. Como exemplo ele cita a indústria química e de cerâmica.CONTROVÉRSIA – “Para completar ainda havia um compromisso da diretoria da Agerba (Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia), de não aumentar o valor da tarifa antes de uma revisão no contrato de concessão”, garante Lima. Segundo ele, o compromisso teria sido firmado verbalmente por Lomanto Neto (diretor-executivo) durante uma reunião com representantes do setor. “Não houve nada por escrito, mas pela confiança que temos nele (Lomanto) não imaginei que fosse necessário”, explica Ricardo Lima.De acordo com a Agerba, não houve nenhum tipo de acordo de que não haveria reajuste na margem da Bahiagás. “Eu participei deste encontro e posso garantir que não houve acordo sobre a questão dos reajustes. O que o diretor Lomanto Neto falou foi que o reajuste que seria dado em maio tinha sido adiado”, responde o gerente de energia da Agerba, Raimundo Mendes.Ele reconhece que o cenário de crise dificulta a concessão do aumento, mas lembra que os preços já estavam defasados e que a função da agência reguladora é garantir o cumprimento do contrato de concessão. “O reajuste deveria ser dado anualmente, mas nós buscamos postergar isso o máximo possível”, explica. “São coisas desse tipo que a população precisa saber. O reajuste liberado é inferior à metade do que foi pedido”, afirma.