
Eliana Santos, 28 anos, tem o ensino médio completo e trabalha como cozinheira de barraca “Salvador já foi chamada de Roma Negra, pela sua esmagadora maioria. Maioria esmagada por um mercado de trabalho racista que seleciona os melhores postos de trabalho e salários para os não-negros. Segundo o analista da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) , Luiz Chateaubriand, os rendimentos médios dos negros são sempre menores, em média um pouco mais de 50% a menos que os dos não-negros. “Por outro lado, a população negra entra mais cedo no mercado de trabalho e permanece por mais tempo. Isso quando permanece, pois a taxa de emprego dos negros é sistematicamente mais elevada que a dos não-negros”, pontua Chateaubriand.O ano de 2007 registrou uma taxa de desemprego em 22,7% entre os negros, contra 15,6% entre os não-negros. “Mas as mulheres negras são as que possuem a maior taxa de desemprego, em torno de 26,4%”, acrescenta Ana Margaret Simões, coordenadora da pesquisa pelo Dieese . A mulher negra recebe salários ainda menores, cerca de 43,4% a menos que os não-negros. “Quando introduzimos a variável escolaridade, percebemos que os rendimentos aumentam conforme avança o nível de escolaridade, tanto para negros quanto para não-negros. Contudo, a diferença salarial ainda persiste entre os rendimentos”, revela a pesquisadora.A PED/RMS é fruto de uma coleta mensal de informações em 2.500 domicílios e a aplicação de cerca de 9 mil questionários/mês. A identificação étnica do universo pesquisado foi feita pelos próprios pesquisadores. “Preferimos treiná-los para evitar que a auto-declaração gerasse problemas de classificação. A questão do racismo é tão enraizada que, em pesquisas anteriores, muitos preferiam se autodeclarar como moreno, mulatinho e até marrom bombom. Isto prejudicaria nossa pesquisa", explicou Ana Margaret Simões.
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