
Washington - Mais de 73% dos americanos maiores de 18 anos se registraram para votar, o que representa o maior número desde que em 1920 as mulheres foram autorizadas a participar do pleito, segundo relatório do Centro de Estudos Eleitorais da Universidade Americana. O estudo, divulgado pela imprensa americana, calcula que 153,1 milhões dos americanos estão registrados para participar do pleito desta terça-feira, 4.
Segundo o relatório, o Partido Democrata ganhou 2,9 milhões de novos eleitores desde 2004, enquanto os republicanos tiveram seus seguidores reduzidos em 1,5 milhão. Outro dado importante mostra que 30% dos eleitores já votaram, tanto pelo correio quanto pelo chamado voto antecipado, modalidade disponível em 30 estados.
Os americanos irão às urnas nesta terça para escolher entre o democrata Barack Obama e o republicano John McCain, mas serão os 538 integrantes do Colégio Eleitoral que terão a missão de decidir qual dos dois assumirá a Casa Branca em um dos momentos mais delicados da história dos Estados Unidos. Além de votar para presidente, os americanos também renovarão toda a Câmara dos Representantes e um terço do Senado do país. Em 11 estados, haverá ainda eleição para governador. Pesquisas recentes de opinião sugerem uma expectativa de alto índice de comparecimento, especialmente entre os eleitores mais jovens, e acredita-se que o pleito deste ano ultrapassará o recorde de comparecimento às urnas de 2004, quando 126 milhões de americanos, ou 64% do total, votaram para presidente. Por conta dos muitos fusos horários existentes nos EUA, as urnas permanecerão abertas durante aproximadamente 20 horas, se tudo transcorrer conforme o previsto. Os primeiros locais de votação, na costa leste, abrirão às 7 horas da manhã desta terça, pelo horário da Bahia; as últimas urnas, no Alasca, deverão fechar às 3 horas da madrugada de quarta-feira, 5, também segundo o horário baiano. A expectativa é de que o vencedor da corrida presidencial seja conhecido no início da madrugada de quarta, antes mesmo do fechamento das últimas urnas nos estados da costa oeste americana. As longas filas nas urnas, o número recorde de eleitores que depositaram seu voto de forma antecipada e o temor de fraude dominaram ontem o panorama eleitoral nos EUA. Em alguns lugares, a participação nos centros de votação foi tal que as autoridades informaram sobre esperas de até seis horas, como ocorreu em Columbus (Ohio), e em alguns locais no condado de Miami-Dade (Flórida). FALTARÃO CÉDULAS – Seis anos após a maior reforma no sistema de votação do país, gerada pelo fiasco eleitoral na Flórida em 2000, analistas prevêem uma escassez de máquinas e cédulas impressas em vários estados-chave na disputa. Vários grupos cívicos criticaram as autoridades na Pensilvânia e Virgínia por não terem realizado preparativos suficientes ante a possibilidade de participação em massa nas urnas. Nos EUA, cada Estado decide seu método de votação. Cerca da metade dos eleitores usará um sistema de leitura óptica das cédulas, uma terceira parte utilizará telas eletrônicas e o restante, sistemas mecânicos, mas cada método tem seus próprios desafios, segundo especialistas. Em alguns estados com votação antecipada, por exemplo, houve queixas sobre problemas nas telas eletrônicas e com os scanners ópticos, o que aumentou a confusão e frustração dos eleitores. Para evitar problemas, centenas de advogados de ambas as campanhas presidenciais foram deslocados a diversos pontos do país para vigiar de perto o processo eleitoral.