
O governo do Estado anunciou oficialmente, na terça-feira, 11, que a Secretaria da Agricultura (Seagri) deixará de ser comandada por Geraldo Simões (PT) e passará a ser controlada pelo PP, com o deputado estadual Roberto Muniz sendo o titular da pasta.
A decisão é o primeiro passo da reforma administrativa que o governador Jaques Wagner pretende fazer para garantir a governabilidade junto à Assembléia Legislativa (AL), barrar o avanço do PMDB dentro do governo e, principalmente, assegurar as bases para a sua reeleição em 2010.
A entrada do PP no governo não se deu apenas com a transferência da Seagri para a legenda, mas também com a definição de que o partido passará a integrar a base governista na AL. Antes, PP e PRP formavam um bloco independente que, se não fazia oposição ao governo Wagner, também não dava garantias de que o Executivo aprovaria seus projetos junto ao Legislativo. “Esse é um 'namoro' que já vinha acontecendo há dois anos. Agora, o PP com seus cinco deputados estaduais, três federais e 38 prefeitos darão todo apoio ao governador”, afirmou o deputado federal Mário Negromonte, presidente estadual do partido. Para alinhar a atuação dentro do governo, a direção do PP se reúne na próxima quinta-feira, 13, à noite com suas bancadas estadual e federal e com os prefeitos eleitos. O caráter político da mudança na Seagri fica evidente pelo fato de o novo titular da pasta não ter histórico de atuação nas questões agrícolas. “O PP já teve três ministros da Agricultura e tem a maior bancada ruralista do Congresso, além de prefeitos espalhados por todas as regiões do Estado. Essa será a experiência que utilizaremos”, salientou Muniz, destacando que vai reforçar os projetos destinados para a agricultura familiar e o agronegócio, além de manter as ações voltadas para os biocombustíveis e o Plano de Desenvolvimento da Região Cacaueira, o PAC do Cacau. “O PAC do Cacau não é da Seagri, e sim um projeto do governo Wagner que foi incorporado pelo governo federal. Qualquer um tem que seguir a orientação do governador”, afirmou Simões, que logo após a transição do cargo para o PP, que ontem ainda não tinha data definida, reassumirá seu mandato de deputado federal. “Vou ajudar a Bahia de lá do Congresso, assim como trabalhar pela reeleição de Wagner”.