terça-feira, 18 de novembro de 2008

MAIS DE 80 FOCOS DE FOGO EM SALVADOR



Desde 22 de outubro, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) não registra chuvas em Salvador. O período de estiagem tem feito com que focos de incêndio em vegetações se espalhem por toda cidade. No último fim de semana, foram registradas 80 dessas ocorrências.
“Sem nuvens, os raios solares incidem de modo mais forte”, explica a meteorologista Cláudia Valéria Silva. A temperatura média na capital tem sido de 32º C, e não há previsão de novas chuvas.
As queimadas proliferam também no interior da Bahia. O número de focos de incêndio em vegetações no Estado cresceu 278% entre os anos de 2004 e 2007. De acordo com números oficiais, até setembro deste ano foram 1.021 ocorrências desse tipo, contra 713 no mesmo período do ano passado.
Bombeiros – Com apenas 27 caminhões do tipo autobomba-tanque para toda a Bahia, a corporação tem dificuldade para atender a todos os chamados. Segundo o diretor de serviço técnico dos Bombeiros, o coronel Nelson Vasconcelos, são seis veículos na capital e cada um com capacidade média de quatro mil litros de água.
Com a frota limitada, apenas 25 das 80 chamadas no sábado e domingo puderam ser atendidas em Salvador. “A solução é priorizar o atendimento. Damos preferência aos locais de incêndio próximos a imóveis, hospitais, escolas e postos de gasolina”, comenta o coronel. Além da falta de chuvas, a ação do homem é apontada como causadora dos incêndios. Na segunda de manhã, um pequeno foco de incêndio surgiu no Centro. A fumaça saía do matagal em uma encosta por trás de um estacionamento particular que fica ao lado da Praça Castro Alves. Funcionária do local, Erotildes Almeida, 62 anos, diz que o fogo começou por volta das 10h. Duas horas depois, o Corpo de Bombeiros não havia aparecido e a situação foi resolvida de improviso: “Mandei o lavador de carro daqui providenciar baldes de água para impedir que o fogo viesse para cá”. Como costuma acontecer, ninguém sabe dizer se o foco foi originado espontaneamente pelo calor. “A gente não sabe. Faz medo por conta dos carros estacionados aqui”, observa Erotildes. Segundo o coordenador de operações do Corpo de Bombeiros, o coronel Sérgio Barbosa, o tempo médio para atender a uma chamada de incêndio deveria ser cinco minutos. No entanto, existem apenas 80 homens por dia para cuidar das ocorrências em Salvador. Outros 150 se dividem para toda a região metropolitana. Além disso, as duas unidades da corporação (no Iguatemi e na Baixa dos Sapateiros) ficam distantes de boa parte dos bairros. “Nosso efetivo total é de 2.033 bombeiro. O ideal seria 6.900”, lamenta. Para o próximo ano, está previsto concurso com 400 vagas, além da criação de novos quartéis nos bairros de Cajazeiras e subúrbio. Enquanto as promessas não saem do papel, os transtornos se acumulam. Na semana passada, cerca de 150 crianças do Colégio Logo, na Rua das Gaivotas (Imbuí), tiveram de ser evacuadas da sala de aula depois de a fumaça invadir o local. O matagal nos fundos da escola começou a pegar fogo por volta das 13h30. “Alguns pais ajudaram a tirar as crianças. Os bombeiros demoraram uma hora e meia para chegar”, reclama a assistente de direção Ana Cunha. Foi a segunda queimada este ano no mesmo terreno. A direção resolveu capinar parte do mato que fica próximo da escola. “Se não fosse isso, as chamas tinham invadido”, assegura. No condomínio Portal de Piatã, as queimadas começaram a afetar a saúde dos moradores. Na área dos fundos do condomínio, na Rua Assipá, o contêiner de lixo parece não ter serventia. Em vez de depositar os materiais no local, os moradores jogam tudo em um terreno baldio e fazem queimadas no final de semana. “Minha asma piorou”, assegura a cabeleireira Anne Amarante.

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