sábado, 8 de novembro de 2008

PROVAS DO ENADE SERÃO APLICADAS NESTE DOMINGO



Alunos de cursos superiores de todo o Brasil realizam neste domingo, 9, o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). Na Bahia, que não segue o horário de verão, as provas começam às 12 horas (horário local), com duração de quatro horas. O exame tem o objetivo de avaliar a qualidade da educação prestada pelas instituições de ensino superior.
A avaliação é voltada para os estudantes que estão no primeiro ano do curso (7% a 22% da carga horária cumprida) e também para aqueles que estão prestes a se formar (80% ou mais da grade curricular cursada). Todos os 564.690 estudantes selecionados são obrigados a participar do exame, sob pena de não receber o diploma de formatura ou o histórico escolar. O Enade é componente obrigatório do currículo.
Mesmo quem não recebeu o cartão informativo enviado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) está apto a participar do Enade. Basta levar um documento de identidade com foto, como o RG ou a carteira de motorista. O Inep, organizador da avaliação, informa que os locais onde as provas serão aplicadas devem ser consultados no endereço eletrônico inep.gov.br e também pelo telefone 0800-616161. O exame é composto por 40 questões, divididas entre discursivas ou de múltipla escolha. Os conteúdos que serão cobrados vão desde os conhecimentos da formação geral do aluno até os aspectos específicos de cada área. O instituto recomenda que os estudantes cheguem ao local de prova com uma hora de antecedência (11 horas), levando caneta esferográfica de tinta preta, lápis, borracha e o gabarito com as respostas ao questionário socioeconômico. Polêmica – Alguns alunos questionam a relevância do Enade para a vida acadêmica. “Somos obrigados a fazer uma prova que não tem nenhuma recompensa, nem mesmo acrescenta horas de extensão, em um dia de domingo e ainda na hora do almoço”, reclama Lucas Duarte, 20 anos, estudante do primeiro semestre do curso de matemática da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Lucas, que participa do exame amanhã, também se queixa do “longo questionário socioeconômico, com mais de 100 perguntas”, que terá de entregar. “A maioria não tem paciência para responder, acha que não serve para nada, boicota o exame, assina a prova e entrega”, afirma o aluno. Celi Taffarel, diretora da Faculdade de Educação (Faced) da Ufba, orienta que os alunos participem do Enade, já que este é um componente imprescindível do currículo. No entanto, a diretora critica a obrigatoriedade do exame e também as formas como os resultados são utilizados pelo Ministério da Educação (MEC). “Obrigar o estudante a fazer a prova é um método arbitrário e uma ingerência do ministério. O MEC não usa o Enade para precisar aquelas instituições que estão necessitando de mais investimentos. Se o desempenho de uma unidade foi baixo, significa que ela está precisando de mais recursos. Mas ocorre o contrário. A depender das outras avaliações, a faculdade pode até perder o credenciamento”, explica. Importância – Para o reitor da Ufba, Naomar Almeida, o exame é um item importante nas avaliações das universidades e instituições de ensino superior. “É fundamental, principalmente porque avalia o ensino do ponto de vista dos alunos. As universidades são parte importante da política pública de educação. Portanto, cabe ao Estado acompanhar os resultados do setor, para que o Brasil tenha condições de desenvolvimento sustentável”, defende. De acordo com o reitor, os estudantes não devem encarar o Enade como uma obrigação. “É um dever cívico, uma forma de colaborar com a instituição que o acolheu. No caso dos estudantes de universidades públicas, boicotar o exame é não retribuir com a formação que eles receberam gratuitamente, financiada por todo o povo brasileiro, principalmente os mais pobres”, ressalta. As instituições que recebem nota baixa, segundo o reitor, não ficam desamparadas. “Comissões são enviadas pelo MEC para melhorar e aperfeiçoar o ensino e não para punir as escolas. Lógico que algumas faculdades têm de fechar, pois não têm a mínima condição. Educação é uma concessão pública”, afirma